domingo, 15 de dezembro de 2013

Escravos

Eu sinto como se o amor pudesse matar. Não fisicamente apenas, mas interiormente é a pior doença, te faz escravo, corrói seus sorrisos e te deixa dependente. Eu o olhava pelo espelho e o via suspirar um seu desespero, querendo fugir dali e também preso, ou um pouco obrigado. Mas aquela dor ele não sentia, já sentiu uma vez. Já não doía do mesmo jeito, ele era seguro. Eu não! Tinha medo cada segundo. Eu me destanciava dele dentro de mim, dentro dos meus sonhos, o deixo tão perto que não espero pelo amanhã. Sei que não vou aguentar muito tempo, mas sei que o tempo que suportar é porque não suportaria sem ele. O que me faz escrava! Eu preciso ficar longe. Eu preciso esquecer e viver, mas é tão difícil viver sozinho. Talvez esse seja meu medo, meu carma. To aqui agora, ele usou de uma válvula de escape para se ver livre um instante desse tormento que é ser amado demais. É também sua única paz! E eu to aqui, deitada a beira da cama, parada, estagnada, com os olhos inchados, evitando ouvir músicas para não parecer insuportável e chorar outra vez. Querendo ir lá, descobrir seus segredos, na verdade, acabar com eles. Ser inteiramente dele... Mas eu to aqui, já me cansei de lutar nessa vida, sei que só faço chorar, e tem sido um choro tão doído, desesperado, sufocado, sem paz. Eu não sei onde essa loucura, prisão, ou sonho pode me levar, e sei que já estou sendo levada... Mas eu nasci para ser livre, sou bem melhor livre desse aperto no coração. Eu sei que o tempo está acabando, e que já não tenho forças para suportar demais... To quase desistindo, e isso é uma dor insuportável. 

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