quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A morte...

A morte material é algo bastante doloroso e com vários rituais, tipo velório, roupas pretas e um luto estampado para que todos vejam o quanto houve dor, é como se aquele lugar tivesse sendo marcado pelo vazio que alguém deixou, a maioria das pessoas são assim e isso é completamente normal, algumas pessoas demoram anos para esquecer a dor de ter perdido alguém, ou nem esquecem, isso realmente é uma dor inexplicável ou talvez inesquecível. Eu entendo! Mais nunca houve luto ou velório na morte espiritual e interior de alguém, e claro né? porque haveria? Aquele pessoa ainda vai continuar ali, nós ainda o veremos, embora nunca possamos conhece-la de verdade, afinal ela está morta. E como saber se alguém não existe mais por dentro? E que tentativa hem? Como nós? Seres humanos egoístas e individuais vamos nos importar em saber se alguém que mesmo respirando ainda continua vivo? Não temos esse interesse, porque só nos importamos com o que vemos, mais infelizmente o velho ditado: ''aparências enganam'' funciona! E além de enganar ele nos cega, e no escuro não conseguimos saber a verdadeira vida que há dentro de cada um. Talvez se ousássemos a reparar em cada gesto de alguém, em cada palavra, se soubéssemos ouvir os gritos de desespero em um silêncio inquebrável, se conseguíssemos arrancar pelo menos uma pista de todos os travesseiros desse mundo... Mais acontece que travesseiros não falam, e nós estamos ocupados ou desocupados demais para reparar em gestos ou palavras dos outros que não venham nos beneficiar, e também não somos interessados em aprender a linguagem dos mudos. Isso acontece até nos depararmos com um significativo caixão, e várias pessoas de preto ao redor com choros e lágrimas e uma saudade que nunca poderá ser curada, antes de alguém morrer por fora, certamente morreu por dentro. Morreu dentro de nós, morreu para os nossos sonhos e planos, morreu para nossa visão, e é nesse momento que nos interessamos e nos importamos com todo aquele tempo perdido, nos importamos com cada gesto e palavra que alguém deu um dia, tentamos e fazemos de tudo para conseguir ouvir alguém que outrora respirava e que agora encontra-se preso a um destino de rompimentos, e nós até desejamos colocar nossos ouvidos naquele caixão, porque mesmo em um silêncio de dor, nós conseguimos ouvir aquela vida gritar por mais uma oportunidade, nós podemos ouvir aquele vida pedindo por socorro e dessa vez quem fala com os travesseiros somos nós, porque agora já é tarde demais! Que nós tenhamos mais cuidado com nosso interior do que exterior, que venhamos a entender que a vida não é somente o que vemos mais sim o que sentimos, e que realmente aprendamos que aparências enganam e nos cegam, que em um dia agitado ou manso possamos perceber cada sorriso de alguém que amamos, e que possamos ser o motivo desse sorriso, que nossos ouvidos estejam sempre dispostos a ouvir quando não existem palavras, e que ao deitar na cama não achamos que somos loucos ao falar com um travesseiros, podemos substituir esses travesseiros por quem amamos. ''Assim, fixamos os olhos , não naquilo que se vê, mais no que não se vê, pois o que se vê é transitório, é parassageiro, mais o que não se vê é eterno...''


Jamylle Bastos.

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